Pelo Início do seguindo milênio, uma nova vaga semítica invade a Mesopotâmia: são os amorritas, que fundam uma séria de dinastias. Uma dessas dinastias, a primeira da Babilônia, atinge o apogeu com seu sexto rei, o famoso Hammurabi.
Conhecemos a figura desse soberano através dos baixos-relevos: face alongada, nariz adunco, barba longa, cabelos curtos, corpo robusto e porte majestoso. Durante seu longo reinado de mais de quarenta anos, o beduíno amorrita realizou uma obra política e social incomparável. O século de Hammurabi pode rivalizar com qualquer um dos séculos aos quais Péricles, Augusto, Luis XIV ligaram seus nomes. Hammurabi construiu um grande império que abrangia os territórios dominados outrora pela dinastia sargônica – desde o mar inferior e do Elam até a Síria e o litoral do Mediterrâneo, Assumiu os títulos de rei de Shumer e de Acádia, rei das quatro partes do mundo, rei do universo e “Pai de Amurru”, que significa, ocidente.
Fixando a capital desse vasto império em Babel, Hammurabi tornou essa cidade, por muitos séculos, uma das grandes capitais do Oriente. Dentro das fronteiras do Império Babilônio, existiam povos de raças, costumes e línguas diferentes: sumérios, elamitas, semitas, gutios, casitas. Para exercer o poder, impunha-se unificar tão heterogêneo estado. Hammurabi realizou esta unificação servindo-se de três elementos importantes: a língua, o direito e a religião.
O acadiano tornou-se a língua oficial da administração. O código de Hammurabi aproveitou toda a legislação precedente, sintetizando o direito antigo dos sumérios e as tradições semitas. A vida social, econômica e política ficou completamente regulada pela legislação de Hammurabi. No terreno religioso, Hammurabi procurou estabelecer a unificação, criando uma religião de Estado sem, contudo, suprimir o deus supremo.
Os sucessores de Hammurabi vão assistir ao desmembramento do primeiro império babilônio que não pôde resistir à ameaça externa (Cassitas e Hititas) e interna (revolta da população do delta, refúgio dos últimos sumérios, e emancipação da Assíria).
Os cassitas, povo asiânico do Zagros, com uma classe dirigente formada por indo-europeus, vão penetrando pacificamente na planície como trabalhadores e mercenários. Por essa época, as revoltas internas mencionadas debilitaram o poder da Babilônia que foi então devastada pelos hititas, chefiados por Mursil I. Após a retirada dos invasores, a grande cidade passou a ser governada por reis da região do sul, o “País do Mar” ou “Terra-Mar”. Os cassitas ocuparam, enfim, pela força, a outrora poderosa metrópole durante alguns séculos, introduzindo na Baixa Mesopotâmia o uso do cavalo e do carro de guerra.
Embora semi-bárbaros, os invasores e dominadores souberam apreciar a superioridade cultural dos vencidos não só respeitando-a, mas, até mesmo, procurando assimilá-la. Enquanto os cassitas dominavam a Babilônia, surgira ao norte uma nova potência militar que viria a predominar na Mesopotâmia: a Assíria. |